Era doida. Doida mesmo. Adorava a tristeza e infelicidade alheia. Adorava adotar para si. Gostava de ser triste... pelos outros. Adorava chorar com filmes e histórias tristes de desconhecidos.
Tentava se colocar no lugar deles. Que horror, pobrezinhos.
E chorava. Vivia para isso. A desgraça alheia era sempre tão mais dramática que a sua própria. Sempre foi. Ou talvez não. Nunca parou para pensar em seus próprios monstros. Pensar em sua própria vida sempre foi tão... chato. Ou real seria a palavra? Sinônimos de qualquer forma.
Adorava isso. Adorava o fato de não pensar. De esquecer. E nunca ter de chorar por isso.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Abismo
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